Thalia era uma menina de dois aninhos quando foi hóspede da Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro. Desde quando ela foi detectada com a doença há 19 anos atrás, sua alegria de viver sempre a manteve forte e com toda energia necessária ao sucesso do tratamento. Assim como as outras crianças ali hospedadas, brigava contra o câncer, entre idas e vindas ao INCA.

Ante e Depois da Thalia com o jornalista Vinícius Dônola na Casa Ronald McDonald-RJ.

Em novembro ela visitou a Instituição e serviu de esperança para todas as outras crianças que lutam contra a doença, ela levou seu filho e sua mãe para compartilharem esse momento de muito afeto e amor pela vida. Um grande presente de Natal!

Thalia com seu filho, ao lado de Sonia, Chico e sua mãe.

O jornalista Vinícius Dônola relata emocionado: Na época, eu já me intitulava “voluntário vagabundo”. Nunca tinha hora para chegar. Nem para sair. Entrava na Casa, fazia bagunça, invadia a cozinha de dona Sabina e voltava para a rua com a equipe de reportagem. Saía alimentado pelo amor que tinha por aqueles pequenos guerreiros.

Certo dia, Janete, a mãe de Thalia, foi ao INCA para um dia decisivo. A filha seria operada, e as chances não eram das mais animadoras. Fui com Janete e por lá ficamos à espera de os médicos falarem algo sobre a cirurgia.

Passaram-se  quando, por uma rede social, recebia a mensagem de uma linda jovem de vinte e um, casada e mãe de Kauã.

— Você se lembra de mim?

Nesta segunda, 17 de dezembro, Papai Noel chegou mais cedo para todos nós. Marcamos o reencontro na hora do almoço. Chico, Sônia e voluntários mais antigos lá estavam. Thalia, Janete e Kauã nos esperavam no refeitório. Duas décadas de emoções representadas marcaram os beijos e abraços.

Na sala da recreação, reproduzimos a foto de 1999. Eu, do lado esquerdo, agachado, e ela, do meu ladinho, agora sorrindo e de bem com a vida.

Obrigado, Papai Noel, pela presente que chegou apressado!

Em 2019, quando a Casa Ronald completa 25 anos de existências, outros reencontros acontecerão. São eles que dão a certeza de que, apesar dos solavancos da estrada, vale sempre a pena caminhar.

Por Vinícius Dônola, jornalista com mais de 30 anos de carreira. Com passagens pelos principais veículos nacionais, é autor de livros infantis como o “O Oco do Toco”. Ao longo de sua carreira, ganhou vários prêmios, como o “Prêmio Tim Lopes”, de jornalismo investigativo, e o “Prêmio Vladimir Herzog”, um dos principais da categoria.